Uma rotina alterada pela Copa América

Chilenos aproveitam a proximidade de grandes ídolos no país e fazem de tudo para acompanhar de perto a rotina das seleções que disputam a Copa América

Artigo publicado originalmente em junho de 2015 - durante a Copa América

Os apartamentos do modesto condomínio do  El Parrón nunca foram tão valorizados como atualmente. Dali se tem uma vista privilegiada do gramado do Centro de Treinamento da Universidad de Chile, local que serve de base para o time de Dunga durante a Copa América. 

Certamente José Pékerman, técnico da Colômbia e adversário da Seleção Brasileira na noite desta quarta-feira, gostaria de ter ficado por pelo menos alguns minutos na companhia daquelas pessoas para saber o que Dunga preparou para o decisivo duelo. Ainda que o argentino não tenha tido a chance de por ali passar, ele poderia consultar alguns dos diversos "olheiros" que deram um jeitinho de acompanhar o treino do Brasil.

O Condomínio no El Parrón, nunca esteve tão valorizado - Rodrigo Calvozzo

“Nunca estive tão perto de jogadores do Brasil. Estou  acostumado com os chilenos, mas saber que o Neymar, que é o melhor jogador do Brasil, Dani Alves e David Luiz estão aqui é muito bom.”, vibrou  Alberto Miranda, que se utilizou de um banco para assistir aos treinos comandados por Dunga no local.

A cena é apenas mais um exemplo de como a Copa América mexe com a rotina dos chilenos, que apesar de viverem em um país considerado tranquilo, estão encarando uma fase de emoções à flor da pele.

Esse é o caso de Hector Baria, pai de três meninos, que segundo ele, são apaixonados por futebol e vivenciam o esporte de forma tão apaixonada que mesmo em diferentes locais o assunto é sempre o mesmo.

“Todos os três são fanáticos por futebol. Só pensam nisso o tempo inteiro, seja em casa, no clube. Todos nós somos torcedores do Colo-Colo, só um que escolheu seguir pela La U, o único ` Chuncho ´”, brincou o pai ao se referir ao filho “desertor”, torcedor do clube rival.

Vale tudo para assistir aos treinos da Seleção Brasileira - Rodrigo Calvozzo

Ter, mesmo que por um curto espaço de tempo, vizinhos tão ilustres como Neymar e outros grandes ídolos só faz reacender a admiração pelo futebol pentacampeão mundial. Ainda assim, ele não abre mão de seguir sonhando em ver o seu país conquistar pela primeira vez o título da Copa América.

“ Gosto muito do Brasil, mas quem vai ganhar será o Chile. Uma final com os brasileiros seria bonita. Mas  um placar de 3-0 para o nós não seria mal.”, lembrou Baria.

HOTEL DA SELEÇÃO  TEM ROTINA ALTERADA

Mas engana-se que a chegada da Copa América ao Chile alterou a rotina apenas de quem vive nas proximidades dos estádios ou Centros de Treinamentos. Em cada esquina da capital Santiago é possível se ver vendedores comercializando bandeiras e flâmulas com as cores chilenas.

O orgulho nacional anda em alta, especialmente porque a seleção conta com a melhor geração de atletas, como os especialistas locais não cansam de repetir a cada comentário, além de terem um dos treinadores mais respeitados do continente, o argentino Jorge Sampaoli.

Ainda que o foco principal esteja sob os atletas nativos, os fãs também querem buscar contato com ídolos internacionais. Mas para isso encontram barreiras mais duras que os mais temidos defensores rivais. O hotel quem hospeda a Seleção Brasileira por exemplo, que antes da chegada da equipe verde e amarela era um refúgio bem tranquilo, agora convive com a rotina de policiais e seguranças 24 horas vigiando todas as portas e acessos, mostrando que o Chile está sim recebendo uma das mais importantes competições do calendário mundial e que cada vez se valoriza por esta intensa movimentação que ela trás consigo.




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